Por Francisco Cardoso Ayres
O Triunfo da Morte, c.1562,
óleo sobre madeira, 117 x 162 cm, Pieter Bruegel, o Velho, Museu do Prado,
Madri.
Pode-se dizer que no início
da humanidade, quando os grupos não eram nem numerosos e nem mesmo transitavam
uns entre os outros, as doenças não passavam de surtos com impactos locais.
Entretanto, com o aumento da aglomeração de pessoas em cidades e a circulação
no mundo, as epidemias foram se tornando mais recorrentes. Em Atenas, por
exemplo, entre os anos de 430 e 428 AC, houvera uma grande epidemia, descrita
pelo historiador grego Tucídides. A cidade grega se encontrava em guerra e a
aglomeração das pessoas no interior da cidade fez com que uma praga
disseminasse rapidamente entre os habitantes e levasse a morte de 25% a 35% dos
atenienses. Por muitos anos se discutiu o que teria causado tal enfermidade e
apenas no início do século XXI foi encontrado um túmulo com corpos da época e
material genético da salmonela, bactéria causadora da febre tifoide. Na Idade Média um grande medo se espalhou por
toda a Europa depois de já ter causado devastações em localidades chinesas, a
peste negra. (01).
Vírus,
Bactérias, Microorganismos: sempre fizeram parte da história?
Pandemias e gripes mais letais da história
O primeiro contato com o
nativo ocasionou um contágio que fez a população insular reduzir de 1,1 milhões
de habitantes em 1492 para apenas 10 mil em 1517. (08). Ainda no contexto dos
descobrimentos, o cocoliztli, nome asteca dado a uma enfermidade que atacava
apenas indígenas no México teve duas grandes epidemias que dizimaram 80% da
população local em 1545 e 45% em 1576. No início do século XVI haviam entre 15
e 30 milhões de indígenas na região e restando apenas 2 milhões no final do
mesmo século”. (02). “A peste Negra, vinda da China causou grandes estragos na
Europa Medieval e continuou produzindo outros episódios na Idade Moderna como a
grande peste de Londres, e o surto ocorrido na França. Ela
fez em torno de 100 milhões de mortos entre 1346 e 1353, correspondentes a 40%
de toda a população da Europa da época”. (4). No entanto, os europeus também foram
disseminadores de doenças avassaladoras quando se aventuraram aos mares nas
grandes navegações. Já na chegada de Cristóvão Colombo, uma grande epidemia de
influenza foi esparramada pela Ilha Espanhola vinda, provavelmente, com os
animais
trazidos pelos espanhóis. (03).
Pandemias e gripes mais letais da história
“Recolhendo os mortos para
enterrá-los durante a Grande Praga de Londres, 1665”
Da Antiguidade até os tempos
de hoje, as epidemias e pandemias foram tão comuns na história da humanidade
quanto as guerras e os conflitos políticos. Os registros mais antigos
conhecidos são do século V a.C., de Atenas, por ocasião da Guerra do
Peloponeso. Há numerosos casos de epidemias pouco conhecidos, com registros
esparsos e superficiais, especialmente sobre as populações colonizadas pelos
europeus, como é o caso da América e da África”, afirma o site: https://ensinarhistoriajoelza.com.br/as-maiores-epidemias-e-pandemias-da-historia/
- Blog: Ensinar História - Joelza Ester Domingues. (04)
Peste
antonina (165-180) sétima pandemia mais letal da história:
Acredita-se que a doença pode ter sido varíola ou sarampo, mas não há um
consenso entre os historiadores. 5 milhões de mortes; Praga de Justiniano (541-542): ratos estavam infestados de pulgas
infectadas: quarta maior da história.30-50 milhões de mortes; Epidemia de varíola japonesa (735–737):
1 milhão de mortes; Peste negra
(1347-1351): 200 milhões de mortes: considerada a pandemia mais mortífera e com
o impacto mais duradouro na história da humanidade; Varíola (1520): 56 milhões de mortes, considerada a segunda maior
pandemia da história; Grandes pestes do
século XVII (1600): 3 milhões de mortes; Grandes pestes do século XVIII (1700): 600 mil mortes; Cólera (1817-1923): 1 milhão de mortes;
A terceira peste (1855): 12 milhões
de mortes: sexta pandemia mais letal da história; Febre Amarela (final dos anos 1800): 100 mil – 150 mil mortes; Gripe espanhola (1918-1919): terceira pandemia mais letal da história,
40-50 milhões de mortes; Gripe russa
(1889-1890): 1 milhão de mortes; VIH/AIDS
(1981-atualidade): 25-35 milhões de mortes; Gripe Suína (2009-2010): 200 mil mortes; Ebola (2014-2016): 11.300 mortes. (05).
Seguindo, destacamos o
histórico das gripes: “na Ásia, em 1580; na Rússia, em 1732; na China, em 1781
e em 1830. A partir no século 19, as pandemias passaram a ser nomeadas: Gripe Russa (1889), Gripe Espanhola (1918), Gripe Asiática (1968) e Gripe de Hong Kong (1968). A maior
delas foi a Gripe Espanhola que matou 40 milhões de pessoas e estima-se que
contaminou metade da população do planeta. Mais recentemente, a Gripe Suína
(2009) ou Gripe A, no México, matou
mais de 17 mil pessoas”. As pandemias de cólera
tiveram início em 1816, na Índia. Depois ocorreu em 1832, na Europa e
América do Norte. Em 1852, reapareceu na Rússia e se alastrou pela Europa e
África entre 1863 e 1875, contaminando a América do Norte em 1866 e a Alemanha
em 1892, voltando à Russia em 1899. Em 1961, reapareceu na Indonésia se
alastrando até chegar à União Soviética em 1966”. (06).
“Os médicos utilizavam esse tipo de máscara
para se proteger da contaminação originada pela peste bubônica”. Site: https://www.hypeness.com.br/2020/03/do-coronavirus-a-gripe-espanhola-as-maiores-pandemias-da-humanidade/Arquivo.
Como
se difunde uma doença na cobertura de uma pandemia?
A difusão de uma determinada
doença pode ser definida, segundo autoridades mundias como surto, epidemia, pandemia e
endemia. Diversas doenças, fizeram com que o homem viesse a mudar seus hábitos de vida e a partir de um
determinado momento, fez a humanidade ao longo de sua história, dispor de seu
maior aliado, a evolução científica. Apesar de todos os esforços, o surgimento
de qualquer pandemia pode ocorrer a qualquer hora, momento ou lugar.
Uma pandemia tem mais chances
de ocorrer quando a letalidade do vírus não é tão alta, o que permite uma
circulação do paciente com sintomas leves e não leva a um isolamento inicial de
todos aqueles infectados. De posse deste breve nivelamento das informações
sobre as classificações das difusões das doenças em nível geográfico e as
diferentes formas de transmissão, é interessante conhecer como isto já ocorreu
na humanidade, de acordo com o site: https://www.youtube.com/watch?v=r9r_VwoZvho&t=348s.
Classificamos por sua difusão geográfica: “Surto é considerado quando uma doença está contida
em uma região muito bem determinada que não supera um bairro, por exemplo, de
uma grande cidade; Epidemia ocorre quando vários surtos ocorrem em muitas áreas
de uma cidade ou diversas cidades de um estado; Endemia são enfermidades
típicas de uma localidade específica; Pandemia ocorre quando a epidemia se
espalha em diversas regiões do planeta e várias regiões são difusoras da
enfermidade”. (07)
Características
gerais das epidemias
O agente patológico de uma
epidemia pode ser tanto uma bactéria quanto um vírus. O primeiro deles já
causou muitos problemas para a humanidade, mas, desde a invenção da penicilina
e de uma cadeia de antibióticos entre as duas grandes guerras mundiais do
século XX ficou mais fácil de ser combatido. Isso não exclui a possibilidade do
surgimento de uma superbactéria que venha a causar estragos imensuráveis. Para
além de compreender o agente patológico, também é importante entender as várias
formas de transmissão e contágio, como por exemplo: A necessidade de um vetor
para transmissão, como é o caso da peste negra da idade média ou a dengue e todos
os demais vírus transmitidos pelo Aedes Aegypti; A transmissão sexual, como é o caso do HIV e
do HPV muito presente atualmente; O contato com sangues e fluidos contaminados
que ocorre com o Ebola e a Cólera; A transmissão aérea presente nos vírus da
gripe, e nos vírus do grupo coronavírus, afirma o site
http://g1.globo.com/Sites/Especiais/Noticias/0,,MUL1101132-16107,00NA+HISTORIA+DAS+EPIDEMIAS+ATE+SALMONELA+JA+FOI+GRANDE+VILA.html.
E
como identificar uma pandemia?
1. elas se iniciam com a infecção de humanos
por parte de um vírus; 2. espalham-se para populações locais e se concentram
em uma região; 3. propagam-se por vários pontos no mundo por meio de viagens e
movimentos populacionais; 4. finalizam numa sustentada transmissão comunitária
ao redor do mundo (transmissão comunitária é quando a população de uma mesma
região começa a se transmitir uma doença). (08).
Estigma
das pandemias desde o Século XVII até os dias atuais
O estigma sempre existiu em
diversos temas e modalidades na história do mundo. Especialmente o tema se
torna atual, devido o que as doenças podem causar nos seres humanos. Todos têm
stigma, de uma forma ou de outra, assim é o homem, desde os seus primórdios. “Durante
as grandes pragas, dentro das muralhas da cidade, os doentes infectados eram
isolados em asilos ou trancados em suas casas com guardas à porta. O isolamento
extremo foi o precursor das quarentenas. Veneza estabeleceu o primeiro sistema
regulamentado de quarentenas ou “Quaranta
Giorni,” dando a um conselho de três pessoas o poder supremo de deter
navios, cargas e indivíduos por até 40 dias (1348)”., afirma pesquisa do site: https://blogs.iadb.org/brasil/pt-br/os-inimigos-sorrateiros-o-novo-coronavirus-e-as-velhas-pandemias/.
A política clássica da OMS
condena que países sejam estigmatizados por serem identificados como a origem
de uma pandemia. Recrimina, assim, denominações como cólera asiática, vírus
chinês, gripe mexicana, gripe espanhola… Há duas boas razões para isso. A
primeira é que os vírus não são de ninguém, pois é difícil determinar onde
começa uma pandemia e possivelmente onde acaba. Em segundo lugar, apontar um
povo como o causador da desgraça não contribui para sua erradicação, porque se
alguém se sente marcado ou perseguido se esconderá, certo? E isso impede um
melhor controle e um freio na transmissão da doença. “O México, por exemplo,
tem uma triste história de discriminação com a população chinesa em seu
território, que não só contribuiu para a construção de ferrovias e outras obras
públicas como também se integrou plenamente e se transformou em uma comunidade
próspera dentro do país. Eis aí o pecado. Sempre foram acusados de transmitir
doenças. Inclusive a cor da sua pele acabou sendo associada à febre amarela,
quando [o nome da doença] só tinha a ver com a icterícia que causa. Também se
atribuía a eles a peste que o México sofreu em 1902/1903, quando esse grupo
étnico se mostrou imune. O nome atribuído à mortífera
gripe espanhola escondia certos interesses. “Tratava-se de evitar que o pânico
se espalhasse entre as tropas [na Primeira Guerra Mundial], assim era muito
mais simples circunscrevê-la à Espanha, ausente na luta”. Sempre houve bodes
expiatórios ―os gays no caso do HIV, ou as prostitutas em tempos de sífilis. O
H1N1 que circulou pelo México em 2009 foi fatal para o comércio da carne suína
no país, que precisou de exibições públicas dos políticos comendo tacos para
esconjurar os temores. (01).
O comportamento social do
homem já foi alterado devido às mudanças ocorridas em seu meio. O mundo já
passou por diversas pandemias ao longo da história. Devido a estas passagens, o
homem aprendeu com as suas incertezas no passado, a prevenir a chegada de novas
ameaças. Nem todas as pandemias somente atingiram os pobres, todas as pessoas
estão vulneráveis ao contágio, que não se sabe como chega. Com isto, as sociedades vieram a melhorar e
combater os novos inimigos invisíveis e sociais, criando verdadeiros armamentos
tais como vacinas, melhorias sanitárias e precauções, para um melhor bem estar
e convívio do meio em que vive o homem. A tempestade das pandemias sempre
passou, e a humanidade sempre sobreviveu. O inimigo não é mais estranho, está
entre nós. Sabemos que a partir do que passamos, iremos viver em um mundo estranho
e novo. O homem assume um novo papel. Será que iremos aprender com a história
da humanidade?
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Referências
(2)https://www2.ifal.edu.br/noticias/ifal-versus-corona-a-historia-das-pandemias-no-mundo
(4)https://ensinarhistoriajoelza.com.br/as-maiores-epidemias-e-pandemias-da-historia/
(5)https://brusque.portaldacidade.com/noticias/saude/saiba-quais-foram-as-pandemias-mais-letais-da-historia-0505
(6)https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/11/151120_vert_tra_peste_negra_lab
(09)https://www.historiadasartes.com/sala-dos-professores/o-triunfo-da-morte-pieter-bruegel-o-velho/)
(10)https://veja.abril.com.br/ciencia/cientistas-apostam-em-virus-para-combater-superbacterias/
(10)https://veja.abril.com.br/ciencia/cientistas-apostam-em-virus-para-combater-superbacterias/

Olá, Assis!
ResponderExcluirExcelente texto! Sem muitos ajustes. Vamos para nossa terceira e última reunião de pauta para postagem. Marcarei as reuniões de pauta em breve.